Depósito secreto de livros antigos é encontrado em biblioteca de museu

Esconderijo foi encontrado após retirada de uma parede da biblioteca.

Depósito secreto de livros antigos é encontrado em biblioteca de museu

Foto: Ilia Varlamov.

Nos calabouços da biblioteca do Museu Politécnico foi encontrado um verdadeiro tesouro – um depósito secreto de livros e revistas antigos. Quando, quem e, o mais importante, por que motivo alguém escondeu as publicações  ninguém sabe, mas todos os livros são de valor único e sem precedentes não apenas como antiguidade, mas também do ponto de vista do conhecimento científico que eles contêm.

A biblioteca preparava-se para mudar para um espaço temporário, uma vez que o edifício em que está localizada tem mais de cem anos e já precisa de uma restauração. Os funcionários começaram a recolher antecipadamente os principais livros, já que embalá-los leva muito tempo.”A disposição da sala não é exatamente adequada para uma biblioteca, de modo que o armazenamento de livros foi formado aleatoriamente. Quando era preciso um lugar novo, no improviso, íamos construindo prateleiras onde era possível”, conta a diretora-adjunta da biblioteca do Museu Politécnico, Svetlana Kukhtévitch.

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Para gerar espaço para as caixas de livros, prateleiras vazias foram desmontadas. Então, atrás de uma delas, foi encontrada uma parede de madeira compensada, que “balançava” de forma estranha. “Nós removemos a madeira compensada e vimos que atrás dela havia livros! Claro, nós imediatamente quebramos a parede e na nossa frente apareceram montanhas de livros empilhados do chão até o teto!”, contou Svetlana.

De acordo com cálculos preliminares, no nicho de dois metros de comprimento havia cerca de 30 mil livros, que eram considerados perdidos. No esconderijo foram encontrados basicamente livros pré-revolucionários em línguas estrangeiras: francês, alemão, latim e grego. “Todos os estudiosos e qualquer pessoa minimamente instruída do século 19 sabiam diversas línguas, por isso, não havia demanda por livros em russo”, afirma Svetlana. O exemplar mais antigo é o livro “Descrição pictórica das áreas ocupadas pela Alemanha”, publicado em 1706. Mas a maioria foi publicada no final do século 19, início do século 20. Um dos livros mais recentes é “Mapa Administrativo da URSS”, da editora NKVD, de 1936.

A biblioteca do Museu Politécnico foi fundada em 1871, antes mesmo do próprio museu, e consistiu sua coleção primeiramente com doações da Sociedade de História Natural, que era composta por professores da Universidade de Moscou (Mendeleev, Butlerov Metchnikov, Setchenov, Timiriazev). A reposição da coleção contribuiu para o intercâmbio de publicações com o Museu de História Natural de Paris e com a Sociedade Real de Edimburgo. Após a Exposição Politécnica em Moscou, da qual a biblioteca fez parte, ela começou a receber, para a sua coleção, literatura de todos os congressos científicos e exposições.

A maior parte dos livros do “tesouro”, como o esconderijo foi chamado pelos funcionários, entrou na biblioteca do Politécnico através de um depósito público que mantinha todas as coleções privadas nacionalizadas. Ex-proprietários nobres de alguns livros podem ser localizados de acordo com antigos livreiros. Assim, em um catálogo completo de aves na língua francesa, estão registrados desenhos dos famosos comerciantes Mámontov.

Foi possível ver em vários livros a anotação “remover o sinal” e marcas de antigas livrarias arrancadas. Nos tempos soviéticos, tentavam, assim, de modo literal, apropriar-se e nacionalizar todas as coleções privadas. Milagrosamente, a marca pessoal do ministro da Educação do Povo durante o reinado de Nicolau I, o conde Semion Uvarov, permaneceu no livro com letras de ouro, em uma edição em língua francesa de “A História dos Insetos”, datada de 1734.

Dos livros em russo, merece atenção especial o tomo “As Forças Produtivas da Rússia”, sobre todas as fábricas em todos os setores. “Quando você lê um livro desses você entende que tudo prosperou no nosso país, e houve tanto progresso. Progresso que talvez não tenha acontecido em vários países ocidentais”, comenta Olga Plechkova, bibliotecária-chefe do espaço.

Datado de 1906, o livro de história do estudante do segundo ano do ginásio Serguêi Tchelnokov conservou uma vida antiga subterrânea. Dentro, folhas foram acondicionadas com as anotações a lápis do menino. Nelas, vê-se claramente que a princípio ele começara a escrever uma lição ou a fazer anotações, e quando se cansou, ele desenhou alguma coisa e ficou exercitando a escrita do nome do comandante Barclay de Tolly.

Após essa descoberta maravilhosa no porão da biblioteca, foi encontrada ainda outra parede de madeira compensada. Ela foi quebrada sem demora, e foram achados dois nichos também cheios até o teto de periódicos estrangeiros do século 19 – revistas sobre a história da ciência e da tecnologia, sobre as artes e arquitetura. “Agora nós podemos não apenas complementar a nossa coleção de periódicos, mas também substituir as revistas copiadas sem valor por aquelas encontradas no esconderijo”, conta Svetlana.

Um dos presentes proporcionados pela descoberta é ter, por exemplo, quase todos os números da revista “Engenharia” a partir de 1884. Tal descoberta não é boa somente para bibliógrafos, mas também para pesquisadores da área de tecnologia – a revista reúne praticamente todo o patrimônio dos conhecimentos de engenharia.

Nos tempos soviéticos, a biblioteca fazia parte do Comissariado de Educação do Povo. Ela organizava exposições relacionadas a todos os avanços científicos e tecnológicos do país, de “Literatura popular científica sobre a agricultura” a “Engenharia da luz”. A biblioteca recebeu exemplares de leitura obrigatória sobre ciência e tecnologia, publicados na Rússia. Hoje, nos arquivos, absolutamente todos os livros sobre história da ciência e tecnologia têm sua versão escrita em russo.

O mistério permanece do mesmo modo: por que esconder todos esses livros ideologicamente inofensivos e revistas sobre química, física, biologia, agricultura, matemática, história, astronomia e outras ciências?

Não ficou nenhuma evidência de que a gerência da biblioteca ou o governo soviético deu uma diretriz específica para destruir os livros. Mas talvez por medo de perder essas publicações valiosas, os funcionários do museu decidiram escondê-las. Segundo Kukhtévitch: “Nós ficávamos imaginando que em algum lugar na biblioteca poderia ter um esconderijo com livros, mas não sabíamos onde. A antiga diretora trabalhou aqui 30 anos e não encontrou nada”. Os bibliotecários têm em mente ainda um lugar onde pode haver outro esconderijo.

Fonte: Livros só mudam pessoas.

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